Trabalhadora aprende a ler e escrever aos 47 anos após ter aulas com colega de trabalho no DF


Trabalhadora aprende a ler e escrever aos 47 anos após ter aulas com colega de trabalho no DF

'Não existe limite de idade, nem barreira para quem quer aprender', diz Maria do Socorro Alves. A auxiliar de serviços gerais é funcionária de uma empresa terceirizada que presta serviços para a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Por Milena Castro, g1 DF
Aos 47 anos, Maria do Socorro Alves conquista, aos poucos, a independência por meio da alfabetização. A trabalhadora do Distrito Federal iniciou, em fevereiro deste ano, o processo de aprendizagem e já consegue separar silabas, ler livros e fazer contas.
Tarefas que antes eram penosas, como pegar um ônibus e decifrar as horas em um relógio de ponteiros, ficaram mais fáceis depois das aulas que a auxiliar de serviços gerais teve com uma colega de trabalho.
"Não existe limite de idade, nem barreira para quem quer aprender", diz Maria do Socorro.
Ela trabalha como funcionária terceirizada na Polícia Rodoviária Federal (PRF), na unidade de Ceilândia
Foi lá que conheceu a servidora Patrícia Dumont, que assumiu o papel de professora.
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Da Paraíba para Brasília


Maria do Socorro Alves aprende a ler aos 47 anos, graças as aulas com uma colega de trabalho — Foto: PRF/ Divulgação
Maria do Socorro nasceu e cresceu em Malta, no sertão da Paraíba. Segundo ela, na cidade até tinha escola, mas na família não havia incentivo para que as pessoas estudassem.
Ao g1, a auxiliar de serviços gerais contou que, dos nove filhos que os pais tiveram, apenas o irmão velho – e agora ela – sabem ler e escrever. 
Maria veio para o DF já adulta, depois que os pais morreram.
Em 1997, após ser abandonada pelo companheiro com duas filhas pequenas "e um bebê na barriga", a paraibana decidiu "buscar oportunidades melhores de vida" em Brasília. 
O objetivo era trabalhar e conseguir o sustento da família.
Os estudos, mais uma vez, ficaram de lado. Até que, um dia, ao tentar mexer em um computador, Maria do Socorro percebeu que precisava saber ler e escrever
Novos sonhos
Conversando sobre o assunto com uma colega de trabalho, a auxiliar de serviços gerais foi convidada a voltar a estudar. Maria do Socorro lembra que, na época, houve uma mobilização para tentar achar uma escola, porém, por causa da pandemia do novo coronavírus, todas estavam com ensino remoto,
Para que ela não desistisse, a colega Patrícia Dumont assumiu a missão de ser professora. Começou ensinando o que era o alfabeto e o que eram sílabas.
Também mostrou como saber as horas no relógio de ponteiros e as operações matemáticas. Para ajudar Maria, os colegas da PRF fizeram uma vaquinha e compraram livros.
Aos poucos, Maria foi evoluindo e assim finalizou, em maio, o primeiro conjunto de material didático que correspondia ao primeiro ano da educação básica. Para comemorar, Patrícia fez um diploma e deu para aluna.

Patrícia ensina Maria do Socorro desde fevereiro. Segundo ela, a aluna é muito dedicada — Foto: PRF/Divulgação.
A servidora da PRF disse ao g1 que não tinha experiência em alfabetização, mas que o interesse da aluna ajudou no processo de aprendizado.
"Eu não senti dificuldade em ensinar para dona Socorro, porque ela tinha tanta vontade de aprender, que nós duas, juntas, fomos aprendendo.
 Ela aprendendo a ler e escrever, e eu aprendendo a alfabetizar. Foi muito gratificante", diz Patrícia.
Segundo Maria do Socorro, o apoio e carinho da professora foram essenciais para seguir firme no aprendizado. 
"Quando ela corrige os meus deveres e fala que tem mais acerto do que erro, isso me motiva muito. Ela diz que sou muito esforçada e isso me dá forças", conta a aluna.
Apesar de ser iniciante nos estudos, Maria do Socorro garante que não quer parar.
 "Eu botei na cabeça que tenho que focar em mim, porque já trabalhei e sofri muito. 
Agora, quero aproveitar a minha vida e a escola vai ser isso pra mim, porque eu vou ter várias chances", diz ela.

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