PGR acusa youtubers bolsonaristas de lucrarem com polarização política


Segundo a Procuradoria-Geral da República, vídeos com a participação do presidente eram especialmente mais lucrativos

PGR acusa youtubers bolsonaristas de lucrarem com polarização política
Segundo a Procuradoria-Geral da República, vídeos com a participação do presidente eram especialmente mais lucrativos
A Procuradoria-Geral da República acusa sites bolsonaristas de lucrarem com a promoção de polarização política. É o que consta no inquérito das manifestações antidemocráticas, ao qual o Correio teve acesso. Ainda segundo o documento, vídeos com a participação do presidente da República eram especialmente mais lucrativos. Canais do YouTube utilizam mensagens apelativas para chamar espectadores, e precisam subir o tom a cada publicação. A tática é a mesma que o presidente Jair Bolsonaro usa em alguns discursos para manter o núcleo de seguidores mais fiéis.
A principal especialidade desses canais, segundo a PGR, e criar uma panorama de "amigo-inimigo", que tem, segundo o texto, repercussões posteriores "na vida real". "Com o objetivo de lucrar, estes canais, que alcançam um universo de milhões de pessoas, potencializam ao máximo a retórica da distinção amigo-inimigo, dando impulso, assim, a insurgências que acabam efetivamente se materializando na vida real, e alimentando novamente toda a cadeia de mensagens e obtenção de recursos financeiros", explica o documento. Vale lembrar que parte dessas repercussões são, justamente, as manifestações antidemocráticas.
A PGR exemplifica os valores obtidos, como o do canal Folha Política. "Para que se tenha uma dimensão dos volumes envolvidos nesse mercado, um relatório de uma empresa especializada em análises estatísticas de páginas do YouTube dá conta de que as 829 mil visualizações obtidas com o vídeo da 'live' que o presidente gravou em 3 de maio na frente do Palácio do Planalto podem ter gerado um lucro entre 6 mil e 11 mil dólares para o administrador do canal "Folha Política", que tem 1,8 milhões de inscritos", afirma a PGR.
"Já o vídeo da "live" presidencial no dia do Exército rendeu 1,5 milhão de visualizações ao canal Foco do Brasil, e pode ter proporcionado um lucro entre 7,55 mil a 18,8 mil dólares apenas como recursos de monetização oferecidos pela plataforma", continua o texto. O lucro, claro, vem da receita de publicidade de anúncios advindos, em parte, do próprio sistema de monetização do YouTube, de órgãos públicos, além das assinaturas pagas dos canais e da venda de produtos divulgados pelos criadores de conteúdo.
"Trata-se de um negócio lucrativo, especialmente quando milhões de pessoas são postas em contato com vídeos batizados com títulos expressivos como 'Bolsonaro rebate conspiradores', 'Bolsonaro dá ultimato para sabotadores e intromissões', 'Bolsonaro invade STF', 'A Força de Bolsonaro é maior que Congresso e STF', 'Bolsonaro e Forças Armadas fechados em um acordo para o Brasil' e 'STF decidiu eliminar Bolsonaro'", elenca a PGR.
De acordo com a denúncia, os vídeos citados, "em tese, renderam valores expressivos a Ernani Fernandes Barbosa, Neto e Thais Raposo do Amaral Pinto Chaves, responsáveis pelo canal Folha Política, e Alberto Junio da Silva, administrador do canal O Giro de Noticias, no YouTube, bem como a vários outros perfis semelhantes”, informa o levantamento.
A PGR segue listando os apoiadores que lucram com a polarização. “É o caso, por exemplo, do editor dos canais ‘Foco do Brasil’ (ou ‘Folha do Brasil’)' e de inúmeros outros ‘youtubers’, entre os quais se destacam Allan dos Santos, do canal ‘Terça Livre’, com 813 mil inscritos, Fernando Lisboa, do ‘Vlog do Lisboa’, com 511 mil inscritos; ‘Roberto Boni, do canal ‘Universo’, com 455 mil inscritos; Valter César Silva Oliveira, do canal ‘Nação Patriot’, com 383 mil inscritos; Adilson Nelson Dini, do canal ‘Ravox Brasil’, com 321 mil inscritos; Oswaldo Eustáquio Filho, do canal ‘Oswaldo Eustáquio’, com 264 mil inscritos; a retro mencionada Sara Fernanda Giromini, do canal ‘Sara Winter’, com 204 mil inscritos'”, além de “Marcelo Frazão de Almeida, do canal ‘Direita TV News’, com 161 mil inscritos; Camila Abdo, do canal ‘Direto aos Fatos’, com 89,8 mil inscritos; e Emerson Teixeira de Andrade do canal ‘Emerson Teixeira’, com 36 mil inscritos”.
Segundo a PGR, os youtubers citados são "conhecidos por replicar e amplificar teses e materiais conspiratórios e forte apelo para propagação".

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